Sábado - 15/03

Quarto dia de navegação
Nesta madrugada passamos pela cidade de Manicoré, os mais experientes dizem que é a metade da viagem, se for assim chegaremos ao nosso destino na terça-feira.

Hoje é o dia do Senhor e não podemos ir à igreja, mas nem por isso esquecemos do culto, passamos o dia apreciando a natureza e compartilhando com nossos colegas de viagem. Nosso estoque de água está no fim e não chove, quando começávamos a nos preocupar com isto, a balsa parou no meio de uma água transparente, é o encontro do rio Madeira com um de seus afluentes. Rapidamente puxamos a água, não dá tempo para encher todas as bacias, mas já valeu a pena.


Uma canoa com os frutos da região

Pela manhã, ficamos assustados quando a balsa se encaminhou repentinamente rumo ao barranco, faltaram apenas 2 metros para bater numa árvore, foi um susto geral. Por descuido do navegador quase tivemos um sério acidente. O navegador ainda ficou bravo por que eu estava filmando, veio inclusive tirar satisfação e me proibir de filmar enquanto ele estivesse no comando. Foi a pior “viagem” para ele, sem que eu pedisse, uma dúzia de “advogados” saiu em minha defesa, eram os caminhoneiros que, a esta altura da viagem, estão com os nervos a flor da pele. Pensei que ia dar briga, os caminhoneiros se uniram num grande grupo e foram reclamar ao Comandante. Depois fiquei sabendo que os caminhoneiros, como forma de protesto contra o tratamento recebido pela tripulação, furaram a fila da comida, servindo-se junto com eles. É que existe uma discriminação, na hora de comer, primeiro come a tripulação e o que sobra fica para os motoristas, assim como na hora do café, a tripulação come pão, e aos passageiros só dão bolacha, algo chato mas acontece aqui.

Os caminhoneiros me disseram que o pessoal da tripulação está se “pelando” de medo que eu mostre a fita para os chefes ao chegar em terra, parece que quem estava dirigindo na hora do “quase” acidente era o faxineiro da balsa que está aprendendo a dirigir.

Tirando esse incidente, o dia transcorreu normalmente, devagar, devagar, subindo rio acima.


O rio Madeira encontra um dos seus afluentes, água limpa e muitos botos fazendo a festa


Uma cena interessante: tal náufragos no rio, um bando de aves aproveita um tronco flutuante para viajar


O por do sol promete chuva

voltar